A necessidade do medo
Está a andar por uma rua desconhecida a meio da noite. A escuridão e o silêncio são
totais. Acelera o passo, mas um barulho alto surge do contentor do lixo.
Os seus batimentos cardíacos aceleram, os seus músculos enrijecem-se, uma série de eventos
químicos desencadeiam-se no seu corpo preparando-o para lutar ou fugir. Então, vê
que era apenas um gato faminto.
O medo é esta sensação que provoca um estado de alerta quando nos sentimos
ameaçados, tanto física como psicologicamente. As reacções no corpo começam com
uma libertação das hormonas do stress, adrenalina e cortisol, o que provoca o
aumento da pressão arterial e do açúcar no sangue, de forma a criar energia
muscular. Estas hormonas activam as respostas do corpo em situações de emergência, preparando o indivíduo para lutar ou fugir.
A pessoa também fica mais atenta a tudo que a rodeia e pode ter ataques de depressão ou de pânico.
Há medos que são aprendidos através das experiências que temos ao longo da vida.
Uma criança que foi atacada na infância por um cão pode tornar-se um adulto que
guarda um medo instintivo destes animais, mesmo que nem se lembre do que originou
tal receio.
No entanto, há medos que correspondem as diferentes adaptações do nosso processo
evolutivo. Todos os mamíferos têm medo de altura, assim como todos os símios têm
medo de serpentes. Nós desenvolvemos medo a ratos e insectos porque estes
tornaram-se portadores de doenças infecciosas. Alguns estudos mostram que os
seres humanos podem ser predispostos geneticamente a temer determinadas coisas,
ou seja, o medo é um instinto evolucionário encravado no consciente colectivo.
Portanto, o medo é um mecanismo de defesa necessário. Se não o tivéssemos, nada
nos impediria de atravessar uma avenida com carros em alta velocidade, de entrar na
jaula de um leão ou saltarmos de um prédio muito alto. O medo promove a
sobrevivência individual e colectiva!
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